segunda-feira, 9 de março de 2009

Você já abraçou seus avós hoje?


Carissímos,

Vocês já experimentaram pedir um abraço a um senhor ou uma senhora, no meio da rua, sem que nunca tenham visto-os? Já deu um bom dia a um casal de velhinhos de mãos-dadas como se fossem dois adolescentes apaixonados? Como se fossem não, retrato-me. Eles sentem-se e são, dois eternos e felizes apaixonados. A vida continua, e felizes são os que conseguem chegar a faixa etária, com nomenclatura de terceira idade. Como eles mesmos gostam de corrigir, “não é terceira idade, mas a melhor idade”. Quem me dera, chegar aos 88 anos. Assim como a minha Linda Vó Paterna, que está com o seu vigor sentimental e a sensibilidade cada dia mais a flor-da-pele. A saúde não é a mesma, é verdade. Mas feliz, realizada, com filhos, netos, bisnetos, tataranetos. Com suas escolhas todas feitas e nem todas acertadas, assim como deve ser, mas sem arrependimentos, sem olhar pra trás com olhos de inveja, e olhar sim pra trás, mas com olhos de saudades.

Saudades da aurora da vida, da época em que vivia sem violência, da época em que a corrupção era algo desconhecido, da época em que as doenças não eram tão ofensivas assim, da época em que namorar era somente pegar na mão, isso já era um avanço de sinal pra época, capaz até de o pai da moça puxar o facão pro rapaz. Época de inocência, não tão inocente, mas muito diferente de como é hoje, onde a televisão coloca o que quer dentro da sua cabeça, onde você é o que não quer e tenta ser o que os outros querem que você seja. Mas o sistema, é papo pra outro dia.

Voltando aos avós. Amem-os, como que se fossem perdê-los amanhã. Pois nada melhor que abraçá-los e dizê-los o quanto são especiais em nossas vidas. Te garanto, os olhos brilharão como os de uma criança ao ganhar um doce.

Cleber Duarte

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